Você sabe como ingressar no caminho do processo evolutivo com o Eneagrama?

Processo evolutivo com o Eneagrama

Minha vida antes e depois”. Esta expressão, muito presente nas jornadas de busca de autoconhecimento bem-sucedidas, aparece comumente nas falas de muitas pessoas que escolhem fazer seu processo evolutivo com o Eneagrama. Até hoje fico surpresa com a frequência e, mais ainda, a rapidez com a qual a expressão surge nos depoimentos que sucedem às vivências nos encontros de Eneagrama. E olha que eu já tenho um bom tempo de rodagem nessa jornada do ser…

A proliferação desses depoimentos foi um dos principais motivos que despertou minha curiosidade para o Eneagrama. E quando, na busca pelo conhecimento sobre esse sistema de compreensão de personalidades, decidi vivenciar o processo do Eneagrama, tive certeza: um dos grandes responsáveis pela frequente manifestação da expressão “minha vida antes e depois” é a integração do binômio “simplicidade x profundidade”.

Entender e assimilar esse sistema de compreensão de personalidades, da filosofia à prática, não é difícil e é bem interessante. Já as implicações de embarcar no processo evolutivo com o Eneagrama são extremamente desafiadoras.

 

O que é o Eneagrama?

A concepção do Eneagrama busca levar cada pessoa a perceber com nitidez aspectos dos seus comportamentos e atitudes que percorrem nossos terrenos pantanosos e nossos talentos preciosos. A importância de compreender como tais manifestações se apresentam em nosso cotidiano é só o comecinho do processo evolutivo com o Eneagrama.

Partimos da premissa do que somos, porque assim somos e o que podemos melhorar. O Eneagrama nos fala de uma essência da qual nos originamos, que nos trouxe à vida dotados de diferentes virtudes. Nessa condição de virtude, cada um de nós está muito próximo de sua essência humana.

Ele também fala da nossa personalidade, que começa a se constituir a partir de experiências com o humano, desenhando dinâmicas subjetivas de funcionamento.

A grande armadilha que pode ruir todo o alcance e o propósito do processo evolutivo com o Eneagrama é cedermos a tentação dos rótulos, reduzindo assim toda a riqueza que está ali implícita.

Cada tipo do Eneagrama vai ter sempre a contraposição de uma virtude e de um vício emocional.

 

Virtudes e paixões do eneagrama

Muito próxima da essência humana é a origem de nossa natureza. O Eneagrama parte da crença que cada ser humano nasce com qualidades subjetivas preciosas, capazes de nos dotar de dons divinos, caracterizados pelo estado de pureza de um ser que chega à Terra.

No entanto, as virtudes vão ser divididas em nove tipos de pessoas. Embora possamos passear por todos os tipos – como já nos lembrava a filosofia, “nada que é do homem nos é estranho” – apenas um deles vai conter todos as nuances presentes em nossos comportamentos, valores e motivações que se apresentam no cotidiano. 

Quando falamos das paixões ou vícios emocionais, nos referimos aos tipos na dimensão da sua personalidade. Importantíssimo ressaltar que a personalidade é vital para o desenvolvimento do ego. Ela vai se manifestar no dia a dia por meio de cada escolha, cada atitude e sentimento.

As paixões, no processo evolutivo com o Eneagrama, vão se desenvolver das expressões mais rústicas até alcançarem as maravilhas das pessoas.

Ouvi uma vez que o cachorro nasce cachorro e morre cachorro. Já o homem nasce um ser, mas sua humanidade é que lhe dará a condição de humano. Quantas vezes nos referimos às atitudes desumanas? Elas são praticadas por gente.

A paixão no seu estado mais atrasado é apontada pelos sete pecados capitais: ira, orgulho, inveja, avareza, gula, luxuria e preguiça. O Eneagrama identificou outros dois: o medo e a vaidade. Eles não devem ser entendidos de forma literal. Precisam ser compreendidos no contexto das histórias de cada indivíduo.

 

Algumas pinceladas em outros aspectos do processo evolutivo com o Eneagrama

O Eneagrama também fala de instintos. Ele os entende enquanto reações automáticas e inconscientes que se originam no cérebro mais primitivo, reptiliano. Segundo o Eneagrama são três os instintos – eles se originam em traumas, muitas vezes trazidos da primeira infância.

Quais são eles?

  • Autopreservação: focado na sobrevivência e atento às necessidades básicas: alimentação, conforto, segurança e saúde.
  • Social: focado no convívio social; sente-se bem em grupos e tende a abraçar causas.
  • Sexual ou um a um: focado no indivíduo, sua energia se volta toda para aquele com quem está trocando, ignorando os demais.

O Eneagrama categoriza os instintos dessa forma:

  • Dominante: um excesso que pretende compensar uma falta.
  • Secundário: corresponde ao lado mais saudável e pode mudar de posição acessando o dominante ou se aproximando do reprimido.
  • Reprimido: diante da falta muito acentuada de algo, tende a desistir.

Importante ressaltar que todos nós temos os três instintos. O que vai mudar é a intensidade de cada um, caracterizando assim o dominante, o secundário e o reprimido. E essa caracterização faz toda a diferença.

Os subtipos são formados por instinto + tipo. Por exemplo há pessoas que são tipo 1 autopreservação, outras que são tipo 1 social e outras que são tipo 1 sexual. Em outras palavras, dentro de um mesmo tipo, você poderá encontrar três pessoas de funcionamento totalmente diferentes. Depende do seu subtipo e do nível do processo evolutivo com o Eneagrama.

Como já disse anteriormente, cada tipo tem um pouco de cada um de nós. Entretanto, quando a própria pessoa bate o martelo sobre seu tipo, ela está abrindo um caminho imenso para aprofundar esse conhecimento. Há quatro tipos, em especial, cuja energia vai impactar no seu tipo. Eles estão nas suas asas ou são as suas flechas.

As asas são os dois tipos vizinhos aos seu. Se, por exemplo, você é tipo 9, suas asas serão 8 e 1. Nelas você poderá encontrar pontos de apoio. Mas também pode cair nos seus vícios.

Já as flechas são outros dois tipos. Em um deles você buscará energia para crescer. Por meio do outro tipo, você irá se desenvolver. Contudo, se as condições emocionais forem desfavoráveis, esses fluxos se darão na direção contrária.

Todo o Eneagrama, inclusive as reflexões sobre o processo evolutivo que ocorre por meio dele, parte da premissa que somos divididos em três centros: um focado no corpo – que reúne os tipos 8, 9 e 1 –, outro no coração – que concentra os tipos 2, 3 e 4 – e o terceiro na cabeça, o dos tipos 5, 6 e 7.

Os três centros são também de inteligência. O do corpo é a inteligência instintual, o do coração é o da inteligência emocional  e o da cabeça é a da inteligência mental.

O que eu trouxe neste texto são pequenos arranhões superficiais, insignificantes, diante da magnitude e alcance que o processo evolutivo com o Eneagrama pode trazer. Até mesmo porque ele só tem sentido se permeada por níveis de consciência que lhe propiciem além do autoconhecimento rumo ao desenvolvimento.